Mãe reencontra bebê sequestrada no MS após sete dias de angústia: ‘Muito feliz’
17/08/2026
(Foto: Reprodução) Mulher é presa suspeita de sequestrar bebê para 'salvar' casamento.
Foram sete dias de angústia até que a família de Raquele, de 17 anos, pudesse reencontrar a pequena Ayla. Segundo a polícia, a adolescente foi atraída para uma armadilha por uma mulher que havia conhecido em um grupo de doação de roupas e fraldas no WhatsApp.
A mulher se apresentava como Carol e dizia ter um bebê. Depois de ganhar a confiança da adolescente, teria oferecido a ela um trabalho como babá, por R$ 100.
“Eu pensei comigo que eu ia conseguir comprar as coisinhas da neném, ajudar minha avó também”, contou Raquele.
O encontro aconteceu em 6 de agosto. A adolescente foi até o endereço acompanhada da irmã de 12 anos. Segundo o relato, a mulher aparentava agir normalmente, ofereceu água às duas e, depois, chamou Raquele para conhecer outra parte da casa.
Ao entrar em uma segunda construção no fundo do imóvel, a adolescente encontrou um homem. Segundo ela, ele tentou fazê-la desmaiar. Raquele fingiu ter perdido a consciência e, ainda assim, foi amarrada.
A polícia afirma que a mulher não morava no imóvel. Ela teria alugado a casa do inquilino que estava no local com o objetivo de realizar o sequestro.
Segundo Raquele, os criminosos disseram que o sequestro estaria relacionado a uma suposta dívida do pai da bebê. Ela também foi ameaçada.
“Eles falaram que se eu chamasse a polícia, depois ia matar alguém da minha família”, relatou.
Mãe reencontra bebê sequestrada no MS após sete dias de angústia: ‘Estou muito feliz’
Reprodução/TV Globo
Mentiras para despistar a família
Enquanto Raquele e a irmã estavam desaparecidas, a tia da adolescente tentou entrar em contato com a mulher que havia oferecido o suposto emprego.
A suspeita afirmou que as duas já tinham ido embora e que haviam chamado um carro por aplicativo. Depois, apresentou outra versão: disse que Raquele teria ido para a casa do pai da bebê.
As duas adolescentes foram deixadas de olhos vendados em um terreno próximo à casa.
Quando voltaram para casa, a família decidiu contar à polícia o que realmente havia acontecido. A tia também enviou uma nova mensagem para a suspeita:
“Entrega a neném, pelo amor de Deus.”
A polícia descobriu que não existia nenhuma mulher chamada Carol. Os investigadores identificaram a suspeita como Suzilaine da Graça Costa.
Suzilaine da Graça Costa
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Filha da suspeita ajudou a polícia
De acordo com a investigação, a própria filha de Susilaine acabou dando uma das primeiras pistas sobre o paradeiro da bebê.
Ela chegou do trabalho e encontrou a mãe com a criança. Ao questionar o motivo de o bebê estar na casa, Susilaine teria respondido que era filha de uma amiga que ela estava ajudando.
A filha viu as notícias sobre o sequestro e passou a desconfiar que a criança pudesse ser a bebê procurada.
Segundo a polícia, ela questionou novamente a mãe e pediu que a criança fosse retirada da casa.
A suspeita então teria trocado a roupa da bebê, colocado um body azul, trocado o bebê-conforto e chamado um motorista de aplicativo. Em seguida, deixou Campo Grande em direção à fronteira com o Paraguai.
Os investigadores acompanharam o deslocamento e identificaram que ela passava por cidades em direção a Pedro Juan Caballero.
A polícia brasileira entrou em contato com as autoridades paraguaias.
Bebê foi encontrada no Paraguai
Susilaine atravessou para Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia próxima a Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Segundo a polícia, ela passou por uma região onde não havia posto de fronteira.
As autoridades paraguaias localizaram a casa para onde a mulher havia ido, em um bairro residencial. Susilaine e o companheiro tinham alugado o imóvel havia cerca de três meses.
Depois da confirmação de que a bebê estava no local, foi solicitado um mandado de busca. Quinze policiais paraguaios participaram da operação que terminou com o resgate de Ayla.
O companheiro de Susilaine, Alex Melo de Abreu, também foi preso. Segundo as autoridades, ele apresentou documentação falsa e era foragido da Justiça brasileira, com condenação por homicídio.
Em depoimento, Alex afirmou que acreditava ser pai da criança e que chegou a comprar roupas e outros itens para o bebê.
Polícia diz que sequestro tinha outro objetivo
As investigações apontam que o plano teria sido arquitetado por Susilaine e não teria como objetivo obter dinheiro.
Segundo a polícia, ela teria sequestrado Ayla para sustentar uma mentira de gravidez e tentar salvar o relacionamento com o companheiro.
A investigação aponta que os dois haviam rompido o relacionamento e reataram depois que Susilaine disse que estava grávida. O sonho do companheiro, segundo os investigadores, era ter uma menina.
Antes do sequestro, Susilaine teria monitorado outra mulher que também daria à luz próximo da data do nascimento de Ayla. O bebê, porém, seria um menino.
A polícia afirma ainda que a suspeita criou personagens e versões falsas para dificultar a investigação.
“O único depoimento que não coincidiu com os outros foi o dela. [Ela] continuou trazendo personagens na história, pessoas que não existiram, para dificultar toda a nossa linha de raciocínio”, afirmou um investigador.
O casal está preso. O inquilino do imóvel usado como cativeiro também foi preso. Em nota, o advogado dele afirmou que o cliente apenas emprestou o imóvel e não tinha relação com o crime.
As defesas de Alex e Susilaine não foram localizadas. Em depoimento, Susilaine negou ter forjado uma gravidez e roubado a criança.
Para Raquele e a família, depois de sete dias de buscas, o que importa agora é cuidar de Ayla.
“Estou muito feliz, porque recuperei minha bebê”, disse a mãe.
'Estou muito feliz, porque recuperei minha bebê': o reencontro entre mãe e bebê sequestrada no MS
Reprodução/TV Globo
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