Projeto leva aplicação de DIU, capacitação profissional e educação sobre saúde menstrual para cidades no interior do Ceará

  • 26/07/2026
(Foto: Reprodução)
Jovem universitária comenta projeto que leva ações de saúde menstrual para interior do CE. Um Dispositivo Intrauterino (DIU) mede apenas alguns milímetros, mas o impacto para quem recebe é difícil de mensurar. Foi com essa missão que um projeto foi criado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os participantes viajam centenas de quilômetros para levar capacitação e educação sobre saúde menstrual para públicos que carecem de cuidados, no interior do estado. O projeto “Missão Mulher Saudável” realiza aplicações de DIU em municípios no interior do Ceará. No entanto, a aplicação não é o único objetivo do projeto tocado por universitários de medicina, coordenados pelo médico e professor Leonardo Bezerra. 💡 O DIU é um método contraceptivo de alta efetividade (99%), conforme o Ministério da Saúde. Tem índice maior que o da pílula anticoncepcional e é equivalente à laqueadura. Ele pode ser inserido em qualquer momento da vida reprodutiva, inclusive em mulheres que não tiveram filhos, desde que esteja descartada a possibilidade de gravidez. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp A iniciativa trabalha com outros dois eixos: a capacitação de profissionais de saúde, não apenas para a aplicação do dispositivo, mas para todo o contexto que envolve a saúde menstrual; e a educação e conscientização de mulheres com palestras e outros eventos em escolas e empresas. A fundadora do projeto, a universitária Naomi Ferreira, de 24 anos foi uma das vencedoras do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário de 2025. O prêmio busca identificar jovens em cada região do país que transformam conhecimento em ação por meio de projetos acadêmicos, sociais, empreendedores, culturais, esportivos ou profissionais. Vivência gerou ideia Naomi Ferreira e outros participantes do projeto Missão Mulher Saudável, no Ceará. Arquivo pessoal A “Missão” começou quando a jovem Naomi Ferreira estava no 6º semestre da faculdade. Ela fazia um módulo de medicina ginecológica e podia acompanhar os atendimentos médicos. Durante os encontros, uma situação se repetia entre as pacientes: a falta de informação sobre os problemas de saúde menstrual. “Eu trabalhava muito com mulheres que tinham queixa de dor pélvica crônica e endometriose. E esse é um público muito complicado. Essas mulheres sofrem por muitos anos, elas sentem muitas dores, e muitas pessoas invalidam a dor delas, familiares, pessoas próximas, e até mesmo médicos”, lamentou a universitária. Naomi percebeu também que muitas pacientes precisavam se deslocar centenas de quilômetros, saindo de cidades do interior em busca de consultas na capital cearense. "Elas esperam nas filas das secretarias por longos meses para conseguir acesso aos especialistas. Elas saem de madrugada de casa; às vezes têm consulta só à tarde, mas saem de madrugada porque precisam sair junto com o ônibus que leva todo mundo para fazer a consulta”, comentou a jovem. As ações do projeto já foram realizadas em municípios como Quiterianópolis, Crateús e Jaguaretama, que ficam a cerca de 400 km, 350 km e 240 km de distância de Fortaleza, respectivamente. A escolha dos municípios leva alguns critérios em consideração, como: baixa disponibilidade de ginecologista e métodos de longa duração; distância de centros de referência e barreiras de deslocamento; mulheres com dor ginecológica persistente sem investigação adequada. “A gente não pode ficar esperando essas mulheres chegarem até nós. A gente precisa ir até elas, porque é isso que vai resolver esse problema. Muitas delas estão em casa sofrendo e nem têm a força de buscar um médico, porque elas nem conhecem a dor que estão sentindo”, reforçou a universitária. A estimativa é que o projeto já tenha beneficiado mais de 300 mulheres, capacitado 60 profissionais da atenção básica e alcançado cerca de 1.000 estudantes. Reforço na capacitação Um dos objetivos do projeto é capacitar profissionais de saúde no interior do Ceará. Arquivo pessoal O coordenador do projeto, Leonardo Bezerra, explicou que o projeto foi desenvolvido também a partir de demandas de gestoras municipais que reclamaram a ele e ao reitor da UFC, Custódio Almeida, sobre a ausência de profissionais capacitados para aplicação do DIU — mesmo com os dispositivos parados nos estoques das secretarias de saúde. Segundo Bezerra, uma ex-prefeita de Quiterianópolis “tinha uma quantidade enorme de dispositivos intrauterinos na prefeitura, mas não tinha quem capacitasse os médicos, não tinha como colocar, como orientar”. Por isso, o município foi o primeiro a receber ações do Missão Mulher Saudável. Os participantes focam, inclusive, em uma perspectiva de longo prazo, cuidando para que os profissionais de saúde que atuam no interior do estado possam seguir realizando os trabalhos com base nas orientações repassadas. “Não levando só assistência, mas, fundamentalmente, tentando capacitar os profissionais das regiões mais distantes dos Programas de Saúde da Família [PSFs], principalmente, capacitando-os para os métodos de inserção de DIU, para os métodos de orientação de contracepção, para orientação sobre saúde menstrual, para orientação sobre planejamento familiar”, explicou Bezerra. “O nosso maior objetivo é, com as missões, a gente tanto fazer as inserções, atender a demanda urgente, mas, principalmente, capacitar os profissionais do PSF, daquele município, daquela região, para que eles consigam, por exemplo, fazer as inserções dos DIUs nas unidades depois da nossa saída”, reforçou o coordenador. Bezerra salientou também que as ações no interior do estado ajudam também na formação dos alunos que participam do projeto e levam o conhecimento produzido no ambiente acadêmico para a comunidade. “Dá uma oportunidade para os nossos estudantes da graduação, do curso de medicina, de ter um contato de educação e saúde com populações do interior do estado”, destacou o coordenador. Prêmio Na Prática Naomi foi premiada devido ao trabalho com o projeto Missão Mulher Saudável em 2025. Arquivo pessoal A atuação no projeto rendeu à Naomi a vitória no Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário de 2025. A premiação laureou a universitária, que, à época, era presidente do projeto que liderou a iniciativa inédita que levou educação sexual, planejamento familiar e inserção de DIUs às comunidades do interior do Ceará. A iniciativa da Naomi está entre os exemplos de iniciativas elegíveis, assim como pesquisas científicas, projetos de tecnologia, ações de voluntariado, empreendedorismo, participação em empresas juniores, produção artística e cultural, resultados esportivos, projetos em áreas como direito, comunicação, educação e ciências humanas, além de experiências profissionais com impacto comprovado. As inscrições para a edição de 2026 do prêmio estão abertas. O objetivo da organização é reconhecer estudantes brasileiros que vêm desenvolvendo iniciativas de impacto ainda durante a graduação. O prêmio busca identificar jovens em cada região do país que transformam conhecimento em ação por meio de projetos acadêmicos, sociais, empreendedores, culturais, esportivos ou profissionais. Podem participar estudantes matriculados em cursos de graduação de qualquer instituição de ensino superior do país, além de formandos do primeiro semestre de 2026. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/07/26/projeto-leva-aplicacao-de-diu-capacitacao-profissional-e-educacao-sobre-saude-menstrual-para-cidades-no-interior-do-ceara.ghtml


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